Destaques | Energia Eólica

Uma energia renovada para o setor da Energia Eólica

19 - 09 - 2018
Os desafios que hoje se colocam ao nível da política energética nacional são de uma envergadura tremenda. Sem prejuízo de outros indicadores destacam-se aqui o Saldo Importador de Produtos Energéticos e o Saldo Carbónico e para ilustrar o ponto em que estamos.
 
Em termos médios e para os últimos anos, o nosso saldo importador em produtos energéticos tem sido cerca de 4 500 M€/ano, valor que incide diretamente na nossa balança comercial. Naturalmente que o maior responsabilidade por este défice reside nos produtos petrolíferos apesar dos valores muito significativos de exportação de produtos refinados e, por isso, de valor acrescentado. Já a eletricidade tem vindo a dar um contributo favorável, reduzindo o saldo importador médio nos últimos cinco anos em 42 M€/ano, mas, ainda assim, residual face ao montante global do saldo importador. Importa ainda referir que no período 2012 – 2016 o saldo importador caiu cerca de 13% /ano em termos médios, aspeto a que o aumento da penetração das renováveis e baixa do preço do petróleo não foram alheios. Mas em 2017 o saldo importador agravou-se quase 20 %! Perspetivando-se a continuação da subida do preço do petróleo, a manutenção da atual capacidade electroprodutora com fontes endógenas resultará num agravamento do saldo importador.
 
No que respeita ao nosso saldo carbónico, salienta-se que nos últimos dez anos temos emitido em média cerca de 71,149 Mton CO2 eq / ano. Destes, cerca de 70 % são diretamente imputáveis à rubrica energia incluindo aqui os transportes. Sendo certo que há alguma capacidade de captura de CO2 eq da nossa mancha florestal, substanciada em 10,427 Mton CO2 eq / ano, continuamos com um saldo negativo de 60,772 Mton CO2 eq / ano.

Sendo estes os nossos pontos de partida, devemos ter os nossos olhos postos no futuro. Dada a influência do Saldo Importador em Produtos Energéticos na balança comercial nacional e o compromisso de Portugal, no âmbito do Acordo de Paris, de atingir neutralidade carbónica em 2050, poder-se-á afirmar, sem qualquer sombra de dúvidas, que a transição energética é um imperativo nacional respeitando as pedras basilares de qualquer política nesta matéria: segurança do abastecimento, interface energia/ambiente e eficiência e competitividade do sector.
 
Qual o papel da energia eólica neste percurso?

Trata-se de uma fonte com um percurso absolutamente notável no nosso país: desde uma expressão residual no início do século até equivaler a 24,1 % do consumo de eletricidade em 2017 (21,6 % da geração), o setor eólico conseguiu congregar toda uma cadeia de valor (promotores, indústria, empresas de serviços, institutos de II&D) no desiderato de aproveitar o potencial energético deste recurso endógeno com os benefícios evidentes não só ao nível da segurança no abastecimento e proteção do ambiente mas também na redução do preço da eletricidade do mercado grossista.
 
Mas qual o papel da energia eólica no futuro?
 
Que desafios? Há potencial eólico por explorar? Qual o potencial da evolução tecnológica? Que novos quadros regulatórios devem ser estabelecidos? Que oportunidades existem para a cadeia de valor do setor? Quais as limitações?

Trata-se de uma reflexão que urge face à maturidade do setor, ao aproximar do fim de vida útil dos aerogeradores e à futura saída dos parques eólicos do mercado regulado. Se no passado foi possível congregar toda a cadeia de valor neste sector, tornando-o absolutamente exemplar em todos as dimensões a nível mundial, deveremos colocar todos os nossos esforços em mantê-lo assim: exemplar!